O ritual cíclico gerador da vida acompanha as mulheres por cerca de 35 anos de suas vidas desde que habitamos esse planeta, porém, ainda é tabu para muita gente. Em nossa sociedade moderna costuma ser visto de maneira negativa, atrapalhando a rotina feminina e pior, trazendo os tão temidos sintomas da tensão pré-menstrual. Aí é que entra essa história de plantar a lua...
Poderíamos recontar a história da humanidade fazendo uma análise antropológica da menstruação. Resgatar a ancestralidade feminina em forma de rituais, mitos, arquétipos e passagens importantes que nos levaram aos dias de hoje, onde passamos a cultivar sentimos de aversão tanto ao sangue quanto a série de eventos que acompanham o evento mensal.
apesar de tanta força contrária, muitas mulheres têm escolhido fazer deste momento um rito de conexão consigo e com a terra. Com o ato de plantar a lua.
O ato de plantar a lua não nasceu ontem. Muito pelo contrário, era praticado por mulheres em várias partes do mundo, em épocas e sociedades diferentes. O nome possivelmente não fosse esse, mas o ritual seguiu vivo e, nos últimos anos, vem ganhando adeptas em solo tropical.
Plantar a lua é coletar o sangue menstrual e colocá-lo na terra, usando-o como adubo para plantas e oferenda as deusas e ao sagrado feminino.
Dentro deste contexto, o substantivo “lua” passou a dar nome ao ciclo menstrual, já que este está intrinsecamente conectado ao ciclo lunar.

O substantivo “lua” passou a dar nome ao ciclo menstrual.
Crédito: A Gazeta
Momento de conexão
Enquanto muitas mulheres preferem se desconectar desse “momento tão desagradável”, tantas outras tem escolhido a conexão, inclusive como bandeira do feminismo. Ao plantar a lua elas passam a entrar em contato com todo o universo interno. além de encontrar um espaço de resgate ancestral, sabedoria sobre si e ativação de poderes de curas de feridas físicas e emocionais.
Parece demais? Pois saiba que sangue de mulher tem poder! “A sincronicidade entre o ciclo feminino e o da Lua revela a conexão entre a mulher e o divino: durante seu ciclo, a mulher abriga o mistério da vida dentro de seu corpo, pode criar vida e garantir o futuro de seu povo, o que equivale a dizer que cada mulher possui os poderes do universo: dar vida, sustentar e criar ”, explica Miranda Gray em seu livro “Lua Vermelha”.
Na obra, Miranda faz um resgate profundo da condição feminina em outros tempos e convida suas leitoras a mergulharem em seus ciclos reconhecendo o poder inerte que eles conferem as mulheres. Ela entende que se apropriar do ciclo lunar é libertador, fonte de autoconhecimento e também instrumento para uma reforma social a partir do feminismo positivo. Ainda, decorre sobre a influência de cada fase da lua no corpo da mulher. Por meio de exercícios práticos, ensina como entrar em sintonia com o período menstrual, aceitando as mudanças naturais do corpo e fazendo melhor uso da criatividade, sexualidade e até mesmo, dos momentos de recolhimento.
Consciência, a chave para todos os males
Nesse sentido, a TPM deixaria de ser um monstro de sete cabeças, tornando-se algo muito mais amigável. Na medida em que vamos tomando consciência de todas as transformações internas ocorridas em cada fase do ciclo menstrual, tanto físicas quanto emocionais, passamos a utilizar nossa percepção para cada pequena alteração. Isso libera a tal da tensão, porque nos dá a oportunidade de relaxar e usar cada fase do período a nosso favor.
A matemática está em entender a influência de cada fase da lua no período vivido em seu ciclo interno. Enquanto a lua nova traz um momento de introspecção e recolhimento da nossa energia, a lua crescente pede para que se coloque em prática ideias e insights, por exemplo.
Isso quer dizer que a mulher é literalmente de fases e que isso é uma ferramenta de poder e não de impedimento. Basta saber explorar os potenciais de cada momento e até, se planejar com antecedência a partir da combinação dos ciclos externo (Lua) e interno. Dessa forma, não terá que lutar contra o seu mundo interior para dar conta de realizar o que precisa em sua rotina.

A lua como forma de expressão artística e política
E nem só de plantar a lua vivem as mulheres modernas em busca de auto conexão e empoderamento. Há ainda, aquelas que criam seus próprios rituais, reverenciando seu sangue de formas variadas – desde expressões artísticas até experimentos como beber o líquido da vida ou passá-lo pelo corpo ou chakras enquanto entoam canções e palavras de amor e perdão.
No artigo “(In)visible blood: menstrual performances and body art” (Sangue invisível: performances menstruais e arte corporal) - Daniela Tonelli Manica e Clarice Rios, listam exemplos de artistas que usam “o potencial simbólico do sangue menstrual” como elemento central e “expressão estético-política” - incentivando debates sobre saúde, causas ambientais, sexualidade e relações de gênero.

Timi Páll usou seu sangue menstrual para representar a gestação de um bebê.

A fotógrafa Arvida Byström clicou mulheres menstruadas em situações cotidianas.
A intenção é poder trazer a menstruação para os holofotes, desmistificando tabus e, porque não, incentivando as mulheres a lidar com os poderes que lhe foram conferidos – de gerir a vida em harmonia e conexão com a natureza e seus mistérios.
Com infos de: Clarin.com, BBC.com, ABC.au.







