A emergência planetária que vivemos parece estar dando uma chance para unirmos sofisticadas tecnologias ancestrais à pesquisas científicas. O conhecimento ecológico tradicional dos povos indígenas têm ganhado a cena e passa a ser valorizado como fonte de sabedoria necessária à nossa sobrevivência por aqui.
Um recente relatório das Nações Unidas divulgou dados alarmantes sobre a diversidade global, que vêm diminuindo em uma escala sem precedentes. Aproximadamente, 1 milhão de espécies estão em risco de extinção. Portanto, vale dizer que esse declínio na biodiversidade global trará impacto profundamente negativo aos seres humanos, que inclui segurança alimentar, qualidade de vida, entre outros.
No entanto, o relatório observou também, que em áreas governadas por povos indígenas a realidade é outra. Afinal, a biodiversidade segue muito mais preservada, comprovando o sucesso como administradores do seu ambiente natural.

Certamente, os povos indígenas de todo o mundo sabem viver em harmonia com suas terras tradicionais, mantendo a integridade do próprio ecossistema. Acima de tudo, para os povos indígenas, a sustentabilidade é uma necessidade, pois sem ela seus próprios meios de subsistência estariam em risco.
Os conhecimentos e práticas ecológicas desenvolvidas desde sua ancestralidade têm sido tão bem-sucedidas que embora suas terras representem menos de 22% da área terrestre do mundo. Os territórios tradicionais abrigam aproximadamente 80% da biodiversidade do planeta.
Valorização da ancestralidade
Apesar do tardio reconhecimento dos saberes ancestrais dos povos indígenas, a triste realidade planetária levou a uma crescente valorização do conhecimento ecológico tradicional (Traditional Ecological Knowledge (TEK) em inglês) na promoção do gerenciamento sustentável da terra e de recursos, e no fornecimento de dados ambientais para apoiar estratégias de adaptação climática.

A sofisticação desses conhecimentos se deve ao fato dos povos indígenas construírem seu modo de vida, há milhares de anos, guiados pela natureza e pelo meio ambiente. Isso lhes garantiu um amplo saber sobre as relações entre flora, fauna e fenômenos naturais.
Os agricultores indígenas dos Andes bolivianos e peruanos, por exemplo, podem prever com sucesso os padrões climáticos observando o tamanho e o brilho do aglomerado de estrelas das Plêiades.
Ao observar as práticas desses agricultores, cientistas descobriram uma ligação entre o El Niño e a cobertura de nuvens troposféricas.
Essa descoberta, e muitas outras resultantes do conhecimento tradicional dos povos indígenas, demonstra o importante papel que os saberes ecológicos tradicionais têm a desempenhar na nossa compreensão e gestão coletiva do meio ambiente.
Quem paga o preço mais alto
Apesar da Emergência Ainda Estamos Despertando para os Efeitos da Crise Climática Planetária
Mas enquanto alguns cientistas se rendem às técnicas ancestrais e nos alertam sobre a emergência que vivemos. são os povos indígenas quem pagam o preço mais alto, já que são particularmente vulneráveis às mudanças climáticas, devido ao seu estreito relacionamento e dependência de ecossistemas locais.
Ativistas indígenas, presentes recentemente na Conferência da ONU sobre Mudanças Climáticas em Madri (COP25), argumentaram que suas comunidades quase não contribuem nas emissões de combustíveis fósseis. Na realidade, são os mais atingidos pelos eventos climáticos extremos e perda de vida selvagem.
Ciência e espiritualidade
Para Rose Whipple, do grupo santee de Dakota, Estados Unidos, “a crise climática é uma crise espiritual para todo o nosso mundo. Nossas soluções precisam costurar ciência e espiritualidade e conhecimento ecológico tradicional com tecnologia”.

Conforme o relatório das Nações Unidas, na medida em que o planeta continua aquecendo, novos desafios relacionados à degradação da terra e à segurança devem surgir.
Além disso, o relatório também enfatizou a importância de envolver grupos indígenas no manejo da terra e nas práticas agrícolas, observando que seu conhecimento na superação das mudanças climáticas.
Ao passo que se inclui os povos indígenas na gestão ambiental apresenta-se uma importante oportunidade de aprender com gerações de observação cuidadosa, por exemplo.
Como resultado, isso também reforça o direito dos povos indígenas de usar, acessar e agir como administradores de suas terras tradicionais.

Veja também como Marcelo Rosenbaum conseguiu resgatar saberes ancestrais, utilizar em seu trabalho e atrair o olhar do Brasil e do Mundo para comunidades esquecidas.
Com infos da: FWS.gov, Scientific American Blog, Exame e Agência Brasil.








1 - Comentário
Muito bom tua partilha